A World Study teve o prazer de entrevistar a pedagoga e especialista em intercâmbio Luiza Meyer. Ex-intercambista, ela trilhou uma longa estrada profissional nesta área e, recentemente, escreveu um livro sobre o assunto.
Como surgiu seu interesse por intercâmbio?
Acho que pelo fato de gostar de aprender línguas estrangeiras, a idéia do intercâmbio surgiu como uma conseqüência natural. Aos quatorze anos, tive a oportunidade de viajar ao exterior pela primeira vez. Fiquei em uma cidade francesa próxima à fronteira com a Suíça e convivi com uma família local. Passei aperto por ser a primeira vez fora de casa, vi como a fluência de um idioma só é adquirida através de uma experiência internacional, chorei de saudades da beleza de Paris ao embarcar de volta... Tudo isso me marcou profundamente. Aos dezenove anos, comecei a trabalhar em uma agência de turismo e aos vinte já trabalha com programas de intercâmbio.
Já realizou algum programa?
A maioria dos programas que realizei foram possibilitados pelo meu trabalho. Acompanhei grupos à Europa, Canadá e Estados Unidos, onde tive a oportunidade de estudar em escolas especializadas no ensino do inglês para estrangeiros. Mas também já aproveitei um período de férias para estudar em Montreal, no Canadá. É uma região extremamente bela do país.
Em sua opinião, qual é a importância da realização do intercâmbio? Como essa experiência pode mudar a vida do jovem?
A experiência muda os jovens das mais diversas maneiras. Ganhamos no lado pessoal e profissional, aprendemos a valorizar o que temos de bom em nosso país, aprendemos a amar ainda mais nossos familiares e amigos, e, ao mesmo tempo, adquirimos uma visão mais ampla do mundo. Nada melhor do que conviver com pessoas e hábitos diferentes para rompermos barreiras pré-estabelecidas e melhorarmos as questões de preconceitos
E o que acha que chama a atenção dos jovens nisso?
A possibilidade de descobrir o novo, viver aventuras, ser, de certa maneira, independente. O fato de agregar valor ao currículo e aprimorar um idioma estrangeiro conta bastante.
Fale um pouco sobre seu livro.
O livro "Próxima Estação: Intercâmbio" conta a trajetória de uma estudante de High School. A história é contada de maneira leve e divertida, através de cartas que ela envia à sua melhor amiga, familiares, namorado... É muito interessante ver o retorno dos jovens que o lêem para se prepararem para a experiência de High School. A maioria me manda e-mails dizendo como o livro os ajudou em determinados momentos, alguns passaram a fazer blogs enquanto viajavam inspirados na idéia do livro. Na verdade, a história de "Próxima Estação: Intercâmbio” é uma mistura de situações que ocorreram comigo e com estudantes cujos intercâmbios ajudei a organizar.
Qual seria o pré-requisito para uma pessoa fazer um bom intercâmbio?
O intercâmbio é o ideal quando é o seu momento, independente da idade. Desejar participar de uma viagem como essa é o principal pré-requisito, além, é claro, de estar disposto a vivenciar desafios e conviver com uma realidade diferente.
Como especialista na área, quais são as tendências para os próximos anos?
A educação internacional é um caminho sem volta. Não dá para fugir desta realidade. As fronteiras estão próximas, a comunicação é cada vez mais fácil, mas, na minha opinião, nada substitui a vivência, a experimentação do cotidiano em outro país. Acredito que programas que possam oferecer, além dos cursos, uma oportunidade de trabalho ou estágio são interessantes por proporcionarem a possibilidade de uma experiência profissional, além de minimizarem o investimento propriamente dito.
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