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O que é ser uma Au Pair no exterior?

Estou nos EUA exatamente há 9 meses, no próximo dia 29 completará 10 meses que cheguei aqui, e como minha mãe diz: tudo na vida passa muito rápido. Realmente passou. Eu moro em New Jersey, em uma cidade bem pequenininha, mas que não troco por nada, nem por NY ou outro lugar importante. Conheço quase todo mundo da cidade, porque todo mundo se encontra no mesmo horário pra pegar as crianças na escola, e fico boba, quando eles vêm conversar comigo e me chamam de Fran, me pergunto como eles sabem meu nome, mas cidade pequena é assim mesmo.

Cuido de 3 kids, de 6, 10 e 12 anos, o menino de 10 anos tem necessidades especiais, ele é autista, mas pra mim ele é perfeito, maravilhoso, lindo e super carinhoso. Eu tenho meu carro, meu celular, meu quarto, minha privacidade, claro, que quando estou nos momentos de tristeza corro para o quarto das crianças e peço muitos abraços e beijos, e eles me correspondem, são uns fofos.

A Emma, minha menina, esta entrando na adolescência e como qualquer pré-adolescente é meio rebelde, mas eu a entendo e respeito a privacidade dela. Teve um episódio com ela que choramos muito juntas. A Val, minha host mother, teve a mais ou menos um mês atrás uma semana muito ocupada, e não parou em casa. Eu coloquei os meninos na cama, li um livro, e ela nada de ir pra cama, de repente ela desceu, eu chamei ela e disse “bedtime” Emma, você precisa dormir, ela veio furiosa, e disse “eu sei eu sei” e começou berrar. Eu perguntei o que tinha acontecido e ela disse que tentou ligar pra mãe dela e ela não atendeu, e chorou muito de saudades da mãe. Choramos juntas, eu disse pra ela que eu também estava com muitas saudades da minha família, mas que precisamos entender as situações, deitei com ela na cama, conversamos, brincamos um pouco, li um livro e ela dormiu.

Meus hosts conversam tudo comigo, desde falta de dinheiro até sobre planos futuros, investimentos, e até sobre a torcida deles pra eu encontrar um namorado americano, hahaha. Eles são muito queridos comigo. Não vou dizer que são perfeitos. Já tiveram vezes que eu e a Val brigamos feio, choramos juntas e pedimos perdão juntas.     Meu host father depois de 15 meses encontrou um novo emprego, na quarta ele começa, e pra mim vai ser o início de uma nova fase, a fase de se virar sozinha porque ele vai ficar bem mais tempo fora de casa. Terei que ser mais responsável e cuidadosa com as crianças, o David não estará mais auqi pra me ajudar como sempre esteve.
O mais gratiicante é que eles sempre me escrevem bilhetinhos, me incluem em tudo da família, nos exercícios de escola que tem que desenhar a família ou falar da família, eu me orgulho muito disso. Afinal, eu construí essa relação pouco a pouco.    A Val me disse que há uns dois meses atrás ela recebeu um e-mail de uma vizinha elogiando meu comportamento e atitude com as crianças, o quanto eu era carinhosa com elas e que ela ficava muito feliz quando me via na escola com as kids me dando beijos e dizendo eu te amo.

Eu brinco, brigo, falo alto quando tem que falar, eles me ajudam a limpar o quarto deles, eu sou “the boss”, e eles sabem disso e nós também brincamos juntos, fazemos “homework” juntos, assistimos filmes, falamos com minha família brasileira e quando eu passo o final de semana fora, sempre eles perguntam “Cadê a Fran?”, muito fofos.   

Quando digo que um dia vou embora eles dizem “não, você precisa ficar aqui, cuidar da gente”. Como diz minha host mom, “você não cuida só das crianças, você cuida de toda família”, porque sempre pergunto se está tudo bem, se precisam de algo e assim somos uma família.    
Eu não gosto de acordar cedo no fim de semana com o cachorro latindo, com a minha host cantando, com as crianças acordando e fazendo barulho, eu não gosto de dirigir na neve, eu não gosto de NY, porque na minha opinião é uma cidade suja e as pessoas são mal humoradas, mas, independente dos meus “Eu não gosto”, eu garanto a quem quer que seja, viver em um país diferente, passar por dificuldades, alegrias, emoções, vale muito a pena. Fazer intercâmbio é muito melhor que relembrar a nossa velha infância, é uma experiência pra vida toda. Deixo aqui o meu “Boa Sorte” para os que estão embarcando nessa aventura! Ah! Em março de 2010 renovo com minha família por mais um ano. =)

 


Atualizado em: 07/01/2010


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